sábado, 11 de abril de 2009

Ela.

Ela sentou-se ao meu lado, virou para a janela do carro cheirando a poeira. As mãos estavam postadas em seu colo, uma brincando com a outra, segurando com certa força nervosa. Evitava me olhar.
-Você tá bem?
-Tô.
-Olha pra mim...
-Eu gosto de ver a estrada.
-Eu sei o quanto isso é terrivel, o quanto dói... Mas você não deve se fechar pra todos agora.
-Não. Você não sabe. Só não preciso de piedade. Gosto de suportar sozinha. No fim, pareçe até um ato heróico.
-Eu amo você.
Ela ficava em silêncio nessas horas. Não me olhava, não movia-se. Seu olhar estava distante e eu não distinguia se era dor ou ódio.
-Como você se sente a respeito disso tudo?
-Como você se sentiria.
-Sabe...Você é má. Eu poderia te acolher em meus braços, te acalmar. Porque você insiste nessa auto-suficiencia?
O carro havia parado, mas ela não fez menção de descer.
-Eu não quero ir pra casa.
Agora já não havia estrada alguma a ser observada, mas o olhar parecia voltado na mesma direção, intacto. Sua boca, o batom vermelho borrado.. Estava usando uma roupa inteira. Daquelas justas no corpo. Estava suja, e rasgada perto dos seios. Mas ela estava devidamente agasalhada com meu casaco.
Há tempos eu apenas a observava. Ela era jovem. Mais do que sua idade, mais do eu. Sorria para todos e para alguns durava mais, era mais bonito. Deduzi assim, que ela demonstrava a sua maneira de quem gostava.Os cabelos castanhos e lisos caiam nos ombros. Os olhos amendoados, verdes reluzentes. Tinha um sorriso bobo, os dentes apareciam e nesse momento duas covinhas apareciam. Os lábios eram grossos. Andava sempre com um risco preto na pápebra superior. E o tamanho variava com seu humor. E deixava as bochechas rosadas, o que dava uma idéia da sua maneira colorida de viver.

Um comentário:

'Gee disse...

'é perfeito *-------------*
você escreve muito bem Tai!