Então eu descobri que não precisava muita coisa para me sentir bem.Realmente bem.
Estavamos ali,eu e minha amiga...A menina que secou minhas lágrimas e a quem eu posso livremente ser idiota.Porque ela me ama e a gente atura uma a outra.Lembro de estar sentada no sol,aproveitando o seu calor para escapar de um frio,não muito forte mas que nos assediava.Conversavamos sobre o mundo,sobre música,sobre casar e depois ter gatos e cachorros,riamos.E o céu estava aberto em nossa frente.O céu era o que mais me satisfazia sua beleza azul anil com poucas nuvens de um branco puro fazendo formas que eu só tinha visto em quadros renascentistas.Então olhei para o lado,para o menino de bochechas rosadas e gordas,com voz irritante, que andava em uma antiga bicicleta,prata e com adesivos de digimon,e em um acesso de loucura falei: 'Empresta a bicicleta?Quero dar uma volta.'
Era a bicicleta que 4 anos atras eu mesma pedalava,e percorria ruas calçadas,via rostos gritantes quando perto deles passava um vulto de uma menina vestida com calçoes masculinos e de cabelos envoltos em um prendedor colorido,penteado visivelmente feito as pressas.
Hoje,mais velha,com calças jeans justas,e blusa branca,um pouco acima do peso,jaqueta azul marinho,cabelos tingidos de um castanho escuro e os olhos verdes,feitos de delineador preto...Mas sem preocupar-me com as vaidades adolescentes subo na bicicleta velha e deco até a rua.Confesso me surpreendo quando vejo minha amiga pegando a outra bicicleta,ainda mais velha e pequena que a primeira e gritando: 'me espera!'
Percorremos ruas que desde aquela infância de onze ou doze anos,não viamos.Pessoas notavam e riam rídicularizando o ato.Minha amiga,com os cabelos loiros e cheirosos balançando ao vendo me sorriu: 'A gente não tem mais concerto.'
Concordei acenando apenas.
Algumas buzinas de motoristas abusados gritam,mas a gente sorri uma para a outra,e depois para o mundo.Para quem quisesse ver.
Lembramos de como eramos nos anos atras,e como nossa amizade fortaleceu desde então.
Passamos por uma rua pequena,mas que havia mudado muito,ganhando novas construções.
Mas o melhor e mais recordavel,foi quando passamos pela rua do antigo centro espírita que paramos de frequentar por preguiça e era abrigado em uma rua larga e vazia com algumas arvores nas calçadas mas que mostrava o céu,tão lindo naquela tarde.Senti apenas a imensidão do céu que parecia estar em nossa frente ao passo que corriamos com nossas 'bikes',eu e ela.E era esse nosso limite,a coisa mais bela.
'As vezes relembrar como era o passado,faz a gente saber o que tem que fazer no presente.'
Eu comentei com ar sério.E dessa vez ela que sorri concordando.
Voltamos para casa,cansadas..E percebemos que não tinhamos o mesmo folêgo.
Mas percebi principalmente,que tem coisas que o tempo não muda,como uma boa amizade.
Então,mais tarde em meu quarto solitário pensei que não preciso de muita coisa para ser feliz.
Para a loira,que mantém a calma enquanto tento tirar fotos dela lavando a louça.
domingo, 10 de agosto de 2008
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