quarta-feira, 3 de março de 2010

Grito

Certa vez de tanto reclamar,
Me questionaram:
-Você tem fome de quê?*
Caviar ou foie gras não era.
Coca-cola também não.
Aquela fome me deixava fraca
E inconsistentemente
Eu não a reconhecia.
Quero feijão, arroz, pratododia**!
Quero mais cinema, mais saúde, mais arte.
Quero muito mais rock!
Quero folclore, Ogum, Oxum
Saravá e Pai Nosso.
Quero a beleza de Afrodite
Bacanais de vinho
E voar como os pássaros.
Ter asas próprias
Quero reconhecimento
Por fazer arte boba:
Trepar em mil arvores frutiferas
Correr iluminada pelo Rei Sol
Quero que todas as dívidas,
Internas, externas, e de prestação
Estejam quitadas.
Quero ser pagã, pagu, exú.
Quero os olhos claro do mestiço
E quanto a poesia?
Ela que rime ou não.
Ela que me encante, cante, grite.
Quero carnaval de cores e brilhos.
Marchar a favor da alegria
Que eu pinte meu nariz, se preciso.
Não se assuste se eu gritar!
Palavras, palavrões.
Tudo é fruto de euforia
Quero em mim a cabeleira do Zezé ***
Aposto que ele é sim.
E porra, sou altruista sim.
Mesmo que primeiro queira saciar
A minha fome.




Eu estava feliz e com fome no dia que escrevi isso.

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